sexta-feira, 10 de julho de 2009

Um "reco" na parada do quartel

Lourenço, furriel miliciano mecânico da CCaç. 2707, foi a Nampula buscar um Unimog (novinho em folha...) com capota e tudo!
Ao passar por Maúa, foi à missão católica e comprou um porco!
Maúa fica a meio do caminho entre Cuamba (Nova Freixo) e Marrupa. Ao chegar a Marrupa apanhou a coluna para Mecula. Durante a longa viagem foi dando água ao bicho, não fosse ele morrer desidratado com o calor dentro do Unimog. Lá se ia o porco e o dinheiro!

Chegou a Mecula, estacionou a viatura em frente à messe de sargentos e foi chamar o "pessoal" dizendo-lhes:
"Venham todos ver a surpresa que vos trago"!
Abre a capota, baixa o taipal e o "reco" descobre a liberdade e salta abaixo da viatura.
Foi um espectáculo fora do vulgar ver o "reco" a correr pela parada fora, com o Lourenço a gritar:
Agarrem o bicho.... não matem o bicho... quando já havia gente armada de G3 para todas as contigências caso ele passasse a barreira do arame farpado!

Foi melhor que S. Firmin de Pamplona... naquela festa onde soltam os touros na rua !
Num quartel com duas companhias onde a pasmaceira é enorme... qualquer acontecimento extra era sempre algo de especial. Neste caso não houve oficial, sargento, ou praça que não tentasse agarrar o bicho. Houve pegas de caras, pegas de cernelha e rasteiras com as botifarras!
Cansado o animal foi recolhido ao Unimog até que fosse feito um curral com aqueles bidons cheios de areia utilizados como abrigos e ninhos de metralhadora.
Terminada a faena, foi lançada uma OPV (operação pública de venda) de acções do porco.
Apenas um furriel não comprou a sua parte, tinha que ser o Adão que era do "contra"!
Todos os furrieis da CCS e da 2707, alguns alferes e o capitão Rui Rodrigues - Cmdt 2707, subscreveram a OPV.
Durante cerca dois meses foi engordado, o animal, com couves da machamba e restos de comida de rancho geral até ao dia solene da matança do porco.


Quem todos os dias nos dava cabo do juízo, era o nosso Cmdt de Batalhão - major Barata Alves - dando-nos prazos para matar o porco!
De facto ele tinha razão, no quartel havia: um cão, um macaco e agora um "reco"... aquilo estava a tornar-se um jardim zoológico!

Um conto de:
Ernesto Fernandes
Ex- Furriel Miliciano Sapador de BCaç. 2914