quinta-feira, 16 de julho de 2009

Alguém que estava em Gomba

Miranda estava lá e escreve assim:

EM MEMÓRIA DO ALFERES
VIEIRA


Prometi voltar…
Com um abraço para o nosso amigo Repas, quero frisar que o que vou dizer não é de modo algum uma correcção ao seu depoimento. É tão só a minha versão e, também “a minha verdade”. De salientar que esta minha participação sobre este assunto, só acontece porque o Repas me encorajou ao abordá-lo de novo. Fico-lhe grato por isso. Eu também estive na referida operação que viria a dar origem a esta viagem fatídica. Devo confessar, porque a maioria dos camaradas desconhece, que foi por Deus estar do nosso lado, que esta não resultou numa tremenda tragédia!

Enquanto operacional (para além dos ocupantes do avião) devo ter sido, quiçá, o último camarada a falar com o nosso amigo Vieira.

Vou contar. (Parece que foi ontem...) : -

Estava no destacamento de GOMBA-RIO ROVUMA com o 1º Pelotão (eu pertencia ao 4º). Não havia Alferes. Como era o Furriel mais antigo cabia-me a responsabilidade de “comandar”. O outro Furriel era o Humberto Carreiro.

Em dia fora de calendário da ida de avião com correio e “frescos”, ouve-se ao longe o ruído de uma aeronave. Gera-se a habitual confusão da surpresa mas rapidamente se monta a respectiva segurança à pista para que o “pássaro” pouse sem problemas. Nele vinham três pessoas; o piloto, o nosso Comandante de Batalhão Major Barata Alves e o Vieira. Fiquei todo contente com a surpresa. Depois de cumpridas as formalidades habituais, disse: Até que enfim Vieira, já estou farto de fazer de Alferes!

Com o seu peculiar sorriso de orelha a orelha, respondeu: Isso querias tu, eu só venho passear! Também já estou farto de Mussoma!

Então disse-me que o Comandante de Batalhão em regresso de Vila Cabral, resolveu verificar o estado da renovada pista de Mussoma e depois o convidou a acompanhá-lo naquela viagem.

Não houve tempo para mais conversa, só deixaram o correio, que era sempre ansiado e pouco e alguns “frescos”. De seguida partiram…! Depois aconteceu…!

Dramática e ao mesmo tempo curiosa, foi a maneira como eu tive conhecimento do sucedido. Só duas ou três semanas depois, com a chegada de férias do Administrador de Posto (o Chinês), em conversa à mesa falou-se no nome do Vieira e, espontaneamente o Administrador pergunta/afirma: “O que morreu no avião?!”…

VIEIRA, SEREMOS CAMARADAS E AMIGOS PARA SEMPRE! DESCANSA EM PAZ !